1.1 Sobre a inclusão digital de estudantes da EJA

Inclusão digital de estudantes da EJA – gerações reunidas em torno do computador

Técnica e tecnologia são palavras que têm origem grega “techné”, que pode ser traduzida mais como

intenção de alterar o mundo de forma prática do que compreendê-lo. (...) Na técnica, a questão principal é do como transformar, como modificar. (...) A palavra tecnologia provém de uma junção do termo tecno, do grego techné, que é saber fazer, e logia, do grego logus, razão. Portanto, tecnologia significa a razão do saber fazer” (VERASZTO; SILVA, MIRANDA, SIMON, 2009, p. 21).

Desde os primórdios das civilizações, a humanidade desenvolveu técnicas e tecnologias para lidar com os desafios cotidianos e não apenas sobreviver a eles, mas compreendê-los e superá-los de forma consciente e estrategicamente organizada, para alcançar objetivos previamente definidos.

Ao refletirmos sobre as tecnologias na Educação de Jovens e Adultos, reportamo-nos às lutas histórico-sociais e culturais, incessantes e constantes, coletivas, reflexivas e dialógicas, dos sujeitos jovens, adultos e das pessoas idosas, para conquistar o acesso e a elevação da escolaridade, as possibilidades de desenvolver potencialidades para aprender e construir conhecimentos, de desenvolver habilidades de leitura e escrita e, ainda, de acessar e utilizar recursos tecnológicos para se incluírem socialmente nos diversos espaços sociais.

A inclusão social desses sujeitos tem sido resultante dessa luta histórica para serem respeitados como indivíduos e cidadãos, com direitos e deveres como qualquer outra pessoa, independentemente de sua condição social. Sentir-se e provar-se incluído faz-se necessário, pois a inclusão abre espaços concretos de possibilidades para a participação na sociedade.

Nessa direção, a escola passa a ser um espaço necessário e importante de oportunidades, no qual o estudante da EJA tem clareza sobre o sentido da aprendizagem e a oportunidade de explorar suas habilidades e potencialidades e desenvolver sua criatividade. Nessa perspectiva, Moscovici (1997, p. 117) considera que:

A palavra-chave é motivação. O aprendizado só se evidencia quando aquilo que foi internalizado passa a ser praticado. Saber não é fazer. Várias das múltiplas formas de inteligência precisam ser desenvolvidas como habilidades nos processos emocionais para, justamente produzirem comportamento interpessoal e social apropriado às situações. A aprendizagem vivencial propicia maior facilidade para transferência de aprendizagem, ou seja, aplicar aptidões, conhecimentos e habilidades às situações reais, desde que haja motivação.

A motivação é, portanto, o assunto-chave para que os estudantes da EJA, aprendam e desenvolvam suas competências e habilidades em todos os âmbitos da sociedade.

Educador(a), realize um diagnóstico com os estudantes da EJA, no intuito de verificar o acesso e a utilização dos recursos tecnológicos, aplicativos e mídias sociais. Numa roda de conversa, é possível partilhar experiências individuais sobre o primeiro acesso, as formas de uso e de navegação nas redes digitais, a leitura e a compreensão dos textos e das linguagens digitais e as diversas formas de comunicação e de acesso à informação. Esse levantamento, certamente, possibilitará a construção de estratégias pedagógicas e metodológicas capazes de facilitar a aprendizagem das tecnologias da informação e comunicação.

É importante que o educador conheça seus estudantes, suas histórias de vida, experiências e seus conhecimentos acumulados para que possa pensar em propostas pedagógicas adequadas à sua realidade.

o desenvolvimento do trabalho pedagógico a partir das histórias de vida, interesses e saberes que os alunos trazem para a sala de aula. Portanto, a abordagem dos conteúdos deve estar relacionada às questões cotidianas dos estudantes jovens e adultos, para estabelecer conexões entre a vida e os conteúdos escolares. Por isso, a necessidade de se perguntar quem são esses estudantes e como vivem, levando em consideração a diversidade presente no processo: se são homens, mulheres, negros, negras, jovens, adultos, idosos, moradoras do campo ou da cidade, indígenas, quilombolas, enfim, sujeitos que constroem conhecimentos e produzem cultura (SANTOS; AMORIM, 2016, p. 125).

É preciso considerar que a exclusão digital é uma possibilidade real dos estudantes da EJA. No ambiente de trabalho e nos diversos espaços sociais onde a informação e comunicação acontecem se requer que ele possua o mínimo de domínio e compreensão da linguagem digital e nesse processo nem todos estão imbuídos ou inseridos. Nesse sentido, urge incluí-lo na cultura digital para que desenvolva habilidades sociais e de convivência compatíveis com essa cultura e possam participar ativamente da sociedade do conhecimento.

Educador(a), o Programa Internet Brasil é uma iniciativa conjunta dos Ministérios das Comunicações e da Educação, que possibilita aos estudantes da Educação Básica e às suas famílias a conexão e o acesso à internet, por meio da disponibilização de chips de banda larga móvel e pacotes com 20 GB de dados, renovados mensalmente. Sugerimos que acesse o link disponível e verifique como aderir ao programa.

Link: https://portal.internetbrasil.mcom.gov.br/

O fato é que não se pode negar a inclusão social e digital dos estudantes da EJA. A inclusão possibilita não apenas o acesso, mas a autoconfiança, a autopercepção, a persistência, a segurança, a independência, a credibilidade e menos dúvidas diante da aprendizagem. Nesse sentido, o educador tem a oportunidade de ampliar o diálogo, a interação e a comunicação com os estudantes, e não apenas apresentar perguntas e respostas das atividades desenvolvidas em sala de aula.

[…] se a escola continuar a oferecer aos jovens poucas oportunidades para pensar e refletir, para debater e discutir idéias relevantes e atualizadas, restará a eles apenas memorizar fatos sem significação o que tende a resultar em desmotivação nas diversas facetas ou em indisciplina. Se forem dadas aos estudantes possibilidades de usar o seu cérebro para pensar e resolver problemas, seu envolvimento e motivação na aprendizagem tenderão a aumentar; a relação professor-estudante não pode ser antagonista, mas sinergética (professor=mediatizador), rompendo com a educação competitiva e abrindo portas a educação cooperativa, redutora de distúrbios quer na escola quer na sociedade em geral. Finalmente a escola que não oferece para os seus clientes uma educação com significação produz muitos insucessos que favorecem a exclusão social (FONSECA, 2002, p. 30-31).

As Matrizes de Referência para o Ensino Fundamental e Médio do ENCCEJA mostram o que se espera que os estudantes desenvolvam em cada área de conhecimento. Os eixos cognitivos e/ou de conhecimento destacam a necessidade e a importância de compreender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social dos sujeitos da EJA.

Fonte:https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/encceja/outros-documentos